Segunda-feira, 21 de Agosto de 2006

Caso Real - Namoro na net

Caso Real

Namoro na net

 

“Começo por dizer que praticamente cresci na internet. Em breve farei 19 anos, e tenho conversado online faz cinco anos em Agosto. Comecei a surfar em rede nas aulas, para pesquisar temas para trabalhos, mas isso aborrecia-me. Até que, em casa, comecei a ir a sites de chats e acabei por ficar cada vez mais tempo num determinado chat como guest (onde podia conversar sem me registar e sem ter que fazer download de software). Mas as pessoas raramente conversavam comigo, pois eu era significativamente mais nova do que a maioria delas. E foi aqui que eu comecei a errar.

Decidi que, como ninguém conversava com uma adolescente, deixaria de o ser pelo menos online. Portanto, passei a dizer que tinha 21 anos e que era enfermeira. Contei-lhes a minha história com um ex namorado problemático (que aconteceu de verdade), falei-lhes sobre os meus problemas médicos, etc., etc., etc..

Encontrei um grande grupo de amigos (alguns dos quais continuo a considerar amigos, ainda hoje) e tornei-me viciada nessa realidade virtual. Em média, estava online quatro horas por noite, sete noites por semana. Os meus “amigos” e eu passávamos a noite a conversar sobre tudo, desabafando sobre as nossas vidas e outras coisas triviais do  dia-a-dia. Tudo conversas que seriam normais entre amigos reais. Não havia mal nenhum, pois já todos tínhamos ultrapassado a etapa inicial do conhecimento mútuo, em que a idade, o sexo e o sítio onde se mora são essenciais. Com tudo isso definido, eu já tinha mentido tudo o que havia para mentir e não precisava de mentir mais. Foi então que as coisas mudaram. Começou a aparecer no chat um rapaz que era amigo de um dos meus amigos online e, no mesmo instante, fiquei fascinada! Era um verdadeiro encanto, que se ‘sentava a um canto’ e pouco dizia, mas quando falava dizia realmente coisas com significado. Sem dar por isso, eu não conseguia permanecer longe dele. Quando nos conhecemos, ele tinha uma namorada online. E contou-me logo de início, portanto, durante uns tempos éramos ‘só amigos’. Quando eu lhe perguntava algo sobre si, mantinha os detalhes vagos. Perguntei-lhe a idade, mas ele contornou o assunto, dizendo piadas. Acabei por perguntar ao meu amigo, que me disse que ele tinha 28 anos. Pensei que sete anos de diferença até nem era mau! (Os meus pais têm 13 anos de diferença em idade). É claro que ele não sabia a minha verdadeira idade! Decidi que se fosse realmente amor, acabaria por contar-lhe. Mas foi a partir daqui que tudo se complicou.

As mentiras começaram a sair da minha boca (ou melhor dos meus dedos) a uma velocidade que nem dá para acreditar. Não sei o que aconteceu comigo, mas fiquei absoluta e completamente apaixonada por este estranho. Só pensava nele, a toda a hora e todo o instante. Um dia não me contive mais, disse-lhe que o amava e ele acabou o relacionamento com a sua namorada online para que pudéssemos explorar os nossos sentimentos. A primeira noite que lhe liguei do telemóvel (com o meu número escondido), disse-me que, na realidade, tinha 32 anos. Fiquei chocada, para dizer o mínimo, mas pensei que fosse realmente amor, a idade não iria fazer diferença.

Mantivemos este relacionamento por quase um ano e meio. Ele nunca me telefonou porque eu não lhe dava o meu número. Perguntou-me várias vezes por que não lho dava, mas depois de já lhe ter mentido tanto, não podia contar a verdade e dizer-lhe que tinha (naquela altura) apenas 17 anos! Sabia que me odiaria e que isso seria o fim do nosso relacionamento. E por um qualquer motivo estranho, essa ideia deixava-me horrorizada.

Com o passar do tempo, comecei a notar que muitas coisas sobre ele também não encaixavam lá muito bem. Por exemplo, nos primeiros dias conversámos, disse-me que nunca tinha sido casado. Mas, passados quase nove meses de ‘relacionamento’, descobri que tinha uma “ex” – mulher e um filho de sete anos. Fiquei zangada por não me ter contado nada. Isso fazia uma diferença enorme na vida que eu tinha idealizado para nós. O temperamento dele também começou a ser esquisito e, ás vezes, assustava-me, mesmo sendo online. Passava a vida a forçar um encontro mas eu mudava de assunto, com medo que ele descobrisse quem eu era de verdade. Depois, começou a agir de modo estranho com uma das minhas melhores amigas online. E quando ele revelou que tinha conseguido decifrar a sua senha e entrado no seu e-mail, descobrindo onde ela vivia e outras informações que não são de fácil acesso, a menos que se trate de um expert, comecei a ficar verdadeiramente assustada e decidi que tinha chegado a altura de saltar fora.

Disse-lhe que a distância estava a matar o nosso relacionamento e ele concordou. Decidimos ficar outra vez ‘amigos’ – na verdade, foi ele que sugeriu - , o que até foi um alivio para mim. Permanecemos ‘amigos’ durante um período de três meses. Mas, nesses três meses, a minha perspectiva da ‘net’ mudou drasticamente.

Comecei a receber emails ameaçadores de endereços anónimos. Emails  que diziam para ter cuidado pois poderia acabar morta. A princípio deitei as culpas a pessoas imaturas que tinham decidido fazer uma brincadeira de mau gosto.

Mas depois do quinto email ameaçador não consegui desligar tão facilmente.

Até que recebi um email do endereço dele e tive medo que o meu mundo desabasse: dizia qual sabia quem eu era, onde estudava, onde trabalhavam os meus pais... ele sabia tudo! Disse-me também que sabia tudo isso desde o início, mas que ainda me ‘amava’, com toda a sua alma e coração. Depois, ameaçou-me dizendo que se eu não voltasse para ele contaria tudo aos meus pais.

Mais: dizia que viria pessoalmente revelar-lhes a filha demente que eles tinham (palavras dele). Fiquei em estado de choque, sem saber o que fazer! E decidi que era melhor encarar a realidade e contei aos meus pais tudo o que tinha acontecido. Depois, contei também aos meus amigos online quem ele era realmente. E aprendi outra coisa sobre estes amigos virtuais: perdi a maior parte dos verdadeiros amigos que tinha feito naquele chat ficaram no meu lado até hoje.

Não sei como, mas ele conseguiu o meu número de telefone e telefonou-me. Contei-lhe que os meus pais sabiam de tudo e que o meu pai queria conversar com ele. Desligou o telefone e nunca mais falei com ele, embora no outro dia me tenha enviado um email.

Ele já não me assusta, embora saiba que até certo ponto ainda pode ser uma ameaça. Só de pensar que estive apaixonada por um doido, que menti, traí pessoas maravilhosas e pus a minha vida em perigo... nem sei bem o que sinto quando penso nisso. O que fiz foi estúpido! Fui vítima da minha própria estupidez. Menti, criei uma vida falsa e caí nas mãos de um maníaco. Com a ajuda dos meus pais, tiro as seguintes conclusões desta história: não vale a pena fingir que se é outra pessoa; e, para além de sermos verdadeiros, é também necessário não nos deixarmos levar pelas mentiras dos outros; é mesmo preciso conhecer a pessoas com quem se ‘anda’. Eu tive a ajuda e a compreensão dos meus pais. Tu... pensa nisto!”

By: Revista "Gente Jovem" nº 33

 

O que achas-te deste caso? Sensibilizou-te? Deixa aqui a tua opinião! 

publicado por ad0lescenci4 às 16:54
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4 comentários:
De feriaskultas a 21 de Agosto de 2006 às 21:32
sim, sensibilizou-me mt.. essas historias deveriam ser de conhecimento de todos! parabens pelo blog! mt util!
De Filipa a 21 de Agosto de 2006 às 22:45
bem que historia! eu nunca falei num chat, mas falo com duas raparigas de quem gosto mt, uma e da minha idade a otra e dois anos mais velha, enfim, eu confiu nelas e sei mesmo que n e ninguem a fazer-se passar por outras pessoas pk ja tive com a web ligada com elas, bom mas isto agora n tem a ver...
olha o blog ta mt bom e é mt util!
bjs
De Sarinha a 21 de Agosto de 2006 às 23:24
Olá! Axo 1 optima ideia criarem exte blog kom o tema da adolescência.
Aborda temax sensibelizantex e úteix para todox ox "meiox adultox".

Xó por ixo vou juntar-vox aox meux linkx. Vixitem o meu blog.

Bjx Sarinha
De Anónimo a 21 de Agosto de 2006 às 23:47
oi..olha eu qia saber s ha alguma maneira d ter as mamas maiores podias dizer m?

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